
Muitas empresas definem a nota de corte de uma certificação interna por costume: 70%, 75% ou 80% de acertos. O problema, no entanto, é que um percentual fixo ignora a dificuldade da prova (PONNAMPERUMA, 2025). Ou seja, numa prova fácil, a empresa certifica quem ainda não está pronto. Por outro lado, numa prova difícil, reprova quem domina a competência.
Por isso, neste guia você vai entender o que é a nota de corte em uma certificação e por que o percentual fixo falha. Além disso, vai conhecer o método Angoff e um passo a passo para definir uma nota de aprovação defensável.
O Que É Nota de Corte em uma Certificação
Nota de corte é, em resumo, a pontuação mínima que separa quem demonstrou a competência exigida de quem ainda não demonstrou. Em uma certificação interna, portanto, ela responde a uma pergunta simples: a partir de quantos acertos a empresa confia que o colaborador está apto?
Por isso, a nota de corte não é um detalhe técnico. Na prática, ela define quem recebe o certificado e, muitas vezes, quem avança na carreira. Como já mostramos ao falar de certificações internas e marca empregadora, um certificado sem validação real perde credibilidade rapidamente.
Por Que um Percentual Fixo Não Funciona
Um percentual fixo não funciona porque não acompanha a dificuldade das questões. Segundo Ponnamperuma (2025), esse tipo de padrão arbitrário não é indicado, aliás, para avaliações de alto impacto. Da mesma forma, fixar uma taxa de aprovação, como “aprovar os 30% melhores”, serve para seleção, e não para certificar competência.
Em resumo, estas são as principais abordagens para definir a nota de corte:
- Percentual fixo: define um número, como 70%, sem olhar a prova, por isso serve apenas para avaliações de baixo impacto.
- Taxa fixa de aprovação: aprova uma parcela dos candidatos, portanto faz sentido em processos seletivos com vagas limitadas.
- Método centrado na prova (como o Angoff): especialistas analisam cada questão, por isso é o mais indicado para certificações de alto impacto.
- Método centrado no candidato (como o grupo limítrofe): especialistas classificam candidatos reais, no entanto exige grupos grandes de candidatos.
O Que É o Método Angoff
O método Angoff é uma técnica em que especialistas estimam, para cada questão, a probabilidade de um candidato minimamente competente acertá-la. Em seguida, a soma dessas estimativas vira a nota de corte da prova (OLSEN; SMITH, 2008).
Além de comum, o método é considerado defensável, porque cada número tem uma justificativa registrada (KARDONG-EDGREN; MULCOCK, 2016). Por outro lado, ele depende do julgamento humano e exige tempo dos especialistas (PONNAMPERUMA, 2025). Por isso, a versão modificada do método permite que o painel consulte resultados de provas anteriores.
Como Definir a Nota de Corte em 5 Passos
Definir a nota de corte com o método Angoff exige, antes de tudo, preparar o painel, estimar cada questão e validar o resultado. Assim, siga esta sequência:
- Descreva o candidato minimamente competente: em primeiro lugar, defina o que essa pessoa sabe fazer no dia a dia. Assim, todos os especialistas avaliam a partir do mesmo perfil.
- Monte um painel de especialistas: reúna pessoas que conhecem a função na prática, como líderes e profissionais seniores. Além disso, Ponnamperuma (2025) recomenda pelo menos oito especialistas.
- Estime a probabilidade de acerto de cada questão: em seguida, cada especialista responde, de forma independente, qual a chance de o candidato minimamente competente acertar o item.
- Discuta as divergências e faça uma nova rodada: quando as estimativas variam muito, o painel debate o item e revisa os números. Afinal, esse ciclo com feedback entre rodadas é parte do método modificado (OLSEN; SMITH, 2008).
- Valide com a primeira aplicação: por fim, compare a taxa de acerto real de cada questão com a estimativa do painel. Se houver grande diferença, revise o item ou a nota de corte.
Diante desse desafio, os relatórios por questão e por assunto da Exametric ajudam a validar a nota de corte. Com eles, a empresa vê, por exemplo, a taxa de acerto de cada item e compara com o que o painel previu. Além disso, os colaboradores fazem a prova por computador, celular ou tablet, o que facilita aplicar a certificação em equipes distribuídas.

Exemplo Prático de Cálculo
Imagine, por exemplo, uma prova com cinco questões. Depois das rodadas, o painel chegou às seguintes médias de probabilidade de acerto:
- Questão 1: 0,90, ou seja, quase todo candidato apto acerta;
- Questão 2: 0,70;
- Questão 3: 0,60;
- Questão 4: 0,80;
- Questão 5: 0,50, ou seja, metade dos candidatos aptos erra.
Somando as cinco estimativas, o total é 3,50. Portanto, a nota de corte é 3,5 acertos em 5, ou seja, 70%. A diferença é que, agora, esse número tem uma justificativa questão por questão. Assim, se a prova ficar mais difícil no próximo ciclo, o painel refaz as estimativas e a nota de corte acompanha a mudança.
Erros Comuns ao Definir a Nota de Corte
- Copiar a nota de outra certificação: cada prova tem um nível de dificuldade próprio, portanto a nota de corte também precisa ser própria.
- Montar o painel só com gestores: na verdade, quem executa a função no dia a dia conhece melhor o que é ser “minimamente competente”.
- Nunca revisar a nota: questões novas mudam a dificuldade da prova. Por isso, vale medir a dificuldade das questões com estatísticas a cada aplicação.
- Avaliar só com prova objetiva: algumas competências exigem, afinal, outros instrumentos, como a avaliação 360 graus em certificações.
Conclusão
Em resumo, a nota de corte de uma certificação precisa refletir a competência exigida, e não um percentual herdado. Dessa forma, o método Angoff transforma essa decisão em um processo estruturado, com especialistas, rodadas de revisão e validação depois da prova. Como resultado, o certificado ganha credibilidade dentro e fora da empresa. O próximo passo, portanto, é escolher uma certificação piloto, de preferência ligada à sua universidade corporativa, e testar o método com um painel pequeno.
Perguntas Frequentes sobre Nota de Corte em Certificação
É a pontuação mínima que separa quem demonstrou a competência exigida de quem ainda não demonstrou. Na prática, portanto, ela define quem recebe o certificado.
Na verdade, não existe um número universal. Por isso, a nota de corte deve partir da dificuldade de cada questão e do perfil do candidato minimamente competente.
É uma técnica em que especialistas estimam a probabilidade de um candidato minimamente competente acertar cada questão. Em seguida, a soma dessas estimativas define a nota de corte.
A recomendação é de pelo menos oito especialistas. No entanto, o mais importante é que todos conheçam a função na prática.
Sim, e isso é até recomendável. Afinal, a empresa deve comparar a taxa de acerto real de cada questão com a estimativa do painel e ajustar a nota quando houver grande diferença.
Fontes de Referência
KARDONG-EDGREN, Suzan; MULCOCK, Pamela M. Angoff method of setting cut scores for high-stakes testing: Foley catheter checkoff as an exemplar. Nurse Educator, v. 41, n. 2, p. 80-82, 2016. Disponível em: https://scholarworks.boisestate.edu/nursing_facpubs/165. Acesso em: 9 out. 2026.
OLSEN, James B.; SMITH, Russell. Cross validating modified Angoff and Bookmark standard setting for a home inspection certification. In: NCME ANNUAL MEETING, 2008, Nova York. Disponível em: https://www.alpinetesting.com/wp-content/uploads/2017/09/cross-validating-modified-angoff-and-bookmark-standard-setting-for-a-home-inspection-certification.pdf. Acesso em: 9 out. 2026.
PONNAMPERUMA, Gominda. Finding the standard setting method for your assessment. The Asia Pacific Scholar, Singapura, v. 10, n. 3, 2025. DOI: 10.29060/TAPS.2025-10-3/TT003. Disponível em: https://medicine.nus.edu.sg/taps/wp-content/uploads/sites/10/2025/06/V10N3-Tips-from-TAPS-Finding-the-standard-setting-method-for-your-assessment-V3.pdf. Acesso em: 9 out. 2026.

Claudio é entusiasta e gestor de novos produtos na área de Tecnologia e Educação.

