
O uso de telas nas escolas é, hoje, um dos debates mais relevantes da educação brasileira. De um lado, defensores da inovação apontam benefícios da inserção tecnológica para o desenvolvimento de competências digitais e novas estratégias de ensino. De outro, há preocupações legítimas sobre os impactos no desenvolvimento cognitivo, social e na concentração dos estudantes.
Esse debate ganhou fôlego com a publicação de novos estudos e com o surgimento de normativas estaduais que propõem diretrizes para o uso de tecnologia em sala de aula. Educadores, gestores e famílias estão sendo convidados a refletir, como nunca antes, sobre o papel das telas no processo de aprendizagem.
O desafio não é se as telas devem entrar, mas como, quando e para quê.
O que as pesquisas recentes dizem sobre telas e infância?
Os dados mais recentes mostram preocupação recorrente com a intensidade e o modo de exposição das crianças aos dispositivos eletrônicos. Segundo estudo da UFLA, 56% das crianças pesquisadas utilizam telas por mais de uma hora por dia, o que tem implicações diretas nos processos de aprendizagem, atenção, habilidades sociais e até na motricidade fina (UFLA, 2025).
Outro dado relevante veio de pesquisa do Instituto Delete, divulgada pela UFRJ: 57% das crianças de até cinco anos já manejam aplicativos de celular, enquanto apenas 14% executam tarefas cotidianas como amarrar o cadarço (UFRJ, 2025). Isso evidencia a substituição acelerada de brincadeiras tradicionais por atividades em meios digitais — algo que exige cuidado e equilíbrio por parte de quem educa.
Exposição prolongada pode comprometer funções cognitivas e sociais em desenvolvimento. Ainda assim, não há consenso pleno: há linhas de pesquisa ressaltando ganhos em criatividade, acesso a informações e estímulo ao pensamento crítico, desde que o uso seja mediado e contextualizado.
Pontos de reflexão para quem educa
Educadores e coordenadores costumam enfrentar dúvidas comuns sobre a implementação de políticas relativas ao uso de recursos digitais em sala. Os tópicos abaixo são indispensáveis para análise antes de qualquer decisão:
- Propósito pedagógico: antes de adotar qualquer dispositivo, questionar: a tecnologia vai enriquecer o objetivo daquela atividade ou apenas ocupar espaço?
- Tempo de exposição: quais limites de tempo fazem sentido para cada faixa etária, considerando desenvolvimento físico, emocional e social?
- Curadoria de conteúdos: os materiais acessados promovem aprendizagem, cidadania, criatividade e segurança digital?
- Supervisão e mediação: o papel do adulto é ativo? Há acompanhamento das interações digitais em grupo e individual?
- Acessibilidade: todos os alunos conseguem participar das atividades propostas, ou há barreiras de acesso, como conectividade, dispositivos ou preparo familiar? Para aprofundar esse tema, veja o guia completo de acessibilidade em avaliações digitais.
- Privacidade e ética: há transparência quanto ao uso de dados, imagens e produções dos estudantes?
Esses tópicos são praticamente universais quando se fala do cotidiano escolar atual — principalmente agora que novas regulamentações estaduais estão sendo criadas para orientar a condução das práticas digitais nas redes públicas e privadas.
Novas regulamentações: o que muda na escola e no trabalho do professor?
O movimento de regulamentação visa garantir tanto o direito à inovação quanto proteger a infância e a adolescência de usos prejudiciais. Muitos estados já estabeleceram diretrizes sobre limites diários, restrições de aplicativos e enfoque no papel mediador do adulto. Isso exige atualização constante de docentes e gestores escolares.
Regulamentos estaduais surgem para garantir equilíbrio entre inovação e proteção dos estudantes.
Com essa exigência, surge também a necessidade de formação continuada, para que professores saibam planejar aulas que integrem ferramentas tecnológicas com intencionalidade e propósito claro. A integração entre elementos digitais e métodos tradicionais — como no ensino híbrido — também se torna pauta relevante. Para referências práticas sobre como alinhar avaliação digital e metodologias inovadoras, veja o artigo sobre ensino híbrido e avaliação digital e o texto sobre relatórios de desempenho em educação digital.
Nesse contexto, plataformas de avaliação digital como a Exametric se alinham a essa regulamentação ao oferecer ferramentas que permitem ao professor controlar o tempo de uso, monitorar o engajamento dos alunos e gerar relatórios de desempenho — sem depender de dispositivos pessoais dos estudantes para a condução das provas.

Questões em aberto e limites que evoluem
Muitas perguntas permanecem sem respostas definitivas. Os principais debates no setor giram em torno de:
- Como mensurar o real benefício das telas para cada faixa etária?
- Existem diferenças de impacto na aprendizagem entre ferramentas analógicas e digitais?
- Qual o papel dos pais e responsáveis nessa mediação, especialmente fora do ambiente escolar?
- Há preparo das famílias para lidar com demandas de segurança digital em casa?
Uso consciente depende de participação ativa da escola, família e da própria criança. A escuta das necessidades e expectativas de cada comunidade escolar tende a guiar escolhas mais acertadas do que decisões puramente generalistas.
Questões como privacidade, proteção de dados, inclusão digital e formação dos profissionais ganham destaque crescente em fóruns, seminários e iniciativas governamentais — e novas práticas surgem para enfrentar essas barreiras, como abordado em debates sobre provas em larga escala e desafios tecnológicos.
Como criar um ambiente equilibrado?
O cenário escolar precisa evitar extremos — nem proibição total nem adesão irrestrita. Equilíbrio e diálogo permanente são essenciais para responder aos desafios trazidos pela tecnologia educacional. Nenhum protocolo conseguirá prever todos os cenários possíveis; a atualização deve ser constante e o olhar sensível da equipe, indispensável.
Trabalhar habilidades de autorregulação, estimular o protagonismo do estudante no uso responsável de ferramentas digitais e promover momentos offline estruturados são ingredientes indispensáveis nesse processo. Ao mesmo tempo, escolas e gestores podem buscar iniciativas de formação continuada para que professores estejam sempre aptos a atualizar suas práticas — incluindo estratégias como peer review e desenvolvimento de competências digitais do coordenador pedagógico.
A Exametric oferece suporte a esse equilíbrio ao disponibilizar relatórios individuais de engajamento em avaliações digitais, permitindo que gestores e professores identifiquem padrões de uso e adaptem as práticas pedagógicas com base em dados concretos — não em percepções.
Conclusão: um debate permanente e necessário
O debate sobre os limites e as melhores práticas para uso dos dispositivos permanecerá vivo, acompanhando tanto a evolução da tecnologia quanto a construção de respostas próprias por parte das instituições. Cada comunidade escolar é única — e as soluções precisam dialogar com seus valores e desafios locais.
Quanto mais qualificado for esse debate, mais chances há de formar estudantes críticos, preparados e cidadãos completos. Para aprofundar como a tecnologia educacional se conecta ao desenvolvimento de competências e à gestão de avaliações, veja o artigo sobre inteligência artificial na educação: recursos, desafios e futuro.
Perguntas frequentes
Depende do modo, do tempo e do propósito do uso. Pesquisas indicam que a exposição excessiva e sem mediação pode comprometer funções cognitivas, atenção e habilidades sociais. Por outro lado, o uso intencional e contextualizado pode ampliar o acesso à informação, estimular a criatividade e desenvolver competências digitais relevantes para o mundo atual.
Os riscos mais documentados incluem dificuldades de atenção e concentração, substituição de brincadeiras e interações sociais presenciais, comprometimento da motricidade fina e exposição a conteúdos inadequados. O tempo de uso e a falta de mediação adulta são os fatores que mais amplificam esses riscos.
Vários estados brasileiros estabeleceram ou estão em processo de estabelecer diretrizes que incluem limites de tempo de uso, restrições de aplicativos e enfoque no papel mediador do professor. O objetivo é garantir que a tecnologia potencialize o aprendizado sem prejudicar o desenvolvimento integral dos estudantes.
O equilíbrio passa por definir propósitos pedagógicos claros para cada uso de tecnologia, promover momentos offline estruturados, desenvolver a autorregulação dos alunos e manter o diálogo constante com famílias. Ferramentas digitais funcionam melhor como complemento — não como substituto — das interações humanas no processo de ensino.
Adotando plataformas que estejam em conformidade com a LGPD, definindo políticas claras sobre coleta e uso de dados, comunicando essas políticas às famílias e garantindo que professores e gestores estejam capacitados para lidar com questões de segurança digital.
Fontes de referência
INSTITUTO DELETE. Em era das telas, brincadeiras tradicionais perdem espaço para aparelhos eletrônicos. Divulgado por UFRJ Conexão, jan. 2025. Disponível em: https://conexao.ufrj.br/2025/01/na-era-das-telas-brincadeiras-tradicionais-perdem-espaco-para-aparelhos-eletronicos/. Acesso em: 01 jul. 2026.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA). Estudo da UFLA propõe caminhos para uso equilibrado das tecnologias digitais na infância. Ciência UFLA, 2025. Disponível em: https://ciencia.ufla.br/en/reportagens/tecnologia-e-inovacao/1060-estudo-da-ufla-propoe-caminhos-para-uso-equilibrado-das-tecnologias-digitais-na-infancia. Acesso em: 01 jul. 2026.

Patrícia é graduada em Psicologia pela UEL, com licenciatura em Pedagogia e especialização em educação bilíngue.

